Síndrome do Impostor no Trabalho: Como Deixar de Duvidar de Si
Por Miraldina Ribeira · · 6 min de leitura
Recebe um elogio e pensa que foi sorte. É promovido e fica à espera do dia em que alguém vai perceber que não está à altura. Prepara tudo três vezes porque um erro seria a prova de que não devia ali estar. A isto chama-se síndrome do impostor, e é muito mais comum do que parece, sobretudo entre profissionais competentes e exigentes consigo próprios. Não é uma doença: é um padrão de pensamento, e pode ser gerido.
O que é a síndrome do impostor
É a sensação persistente de não merecer o que se alcançou, apesar das provas em contrário. Quem a sente atribui os sucessos à sorte, à ajuda dos outros ou ao acaso, e os erros à falta de capacidade.
Não tem a ver com competência real. Muitas vezes, é precisamente quem mais sabe que mais duvida, porque tem noção do muito que ainda lhe falta aprender.
Sinais mais comuns
Pode reconhecer-se em alguns destes comportamentos:
- Dificuldade em aceitar elogios sem os desvalorizar
- Medo constante de ser "descoberto"
- Preparação excessiva para tarefas simples
- Adiar tarefas importantes por receio de não as fazer na perfeição
- Não se candidatar a uma vaga por não cumprir todos os requisitos
- Ficar calado em reuniões, mesmo tendo algo útil a dizer
- Comparar-se sempre com quem parece saber mais
Como trava a sua carreira
O custo raramente é visível, mas acumula-se. Quem duvida de si não pede o aumento, não se propõe para o projeto, não fala do seu trabalho. Vê outros, por vezes menos preparados, avançarem.
Há também o desgaste. Trabalhar sempre com medo de falhar consome energia e leva a horas a mais para compensar uma insuficiência que só existe na sua cabeça.
Separe factos de sentimentos
Sentir que não é capaz não prova que não o seja. Quando a dúvida aparecer, pergunte-se: que factos tenho sobre o meu desempenho?
Crie um registo das suas conquistas: projetos concluídos, problemas que resolveu, agradecimentos e avaliações positivas que recebeu. Atualize-o todos os meses e releia-o antes de uma avaliação, de uma entrevista ou de uma reunião importante. É também o melhor material para pedir uma promoção.
Mude a forma como fala consigo
Repare nas frases que usa: "tive sorte", "qualquer um fazia", "não foi nada". Substitua-as por descrições exatas do que aconteceu: "preparei-me bem", "encontrei a solução", "trabalhei três meses nisto".
Quando receber um elogio, responda apenas "obrigado". Sem justificações nem desvalorizações.
Aceite que não precisa de saber tudo
Ninguém domina todas as áreas da sua função, e quem parece dominar aprendeu a dizer "não sei, vou verificar" com naturalidade. Admitir uma dúvida é um sinal de segurança, e não de fraqueza.
Errar também faz parte. A diferença entre um profissional sólido e um impostor verdadeiro é que o primeiro assume o erro, corrige-o e aprende com ele.
Fale sobre o assunto
A síndrome do impostor vive do silêncio. Quando partilha o que sente com alguém de confiança, um colega, um mentor ou um amigo, descobre quase sempre que a outra pessoa já sentiu o mesmo.
Se a dúvida vier acompanhada de ansiedade intensa ou afetar o seu sono e a sua saúde, procure o apoio de um psicólogo.
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